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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Projeto da Prefeitura de Araçatuba é estudado por acadêmico de Geografia da UEM

"Remoção e revitalização do Beco da Esperança na cidade de Araçatuba-SP: proposta de manejo sustentado de uso do espaço”. Sob esse título, o acadêmico de Geografia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Hugo Santana Casteletto (foto), estuda a iniciativa da Prefeitura de Araçatuba em revitalizar uma área verde da cidade e transferir 38 famílias que viviam no local para o Condomínio Vitória.

O estudante de 22 anos soube do projeto em dezembro do ano passado, por meio do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Relações do Trabalho, Carlos Farias de Souza. “Ele me passou alguns dados do Condomínio Vitória e principalmente a ideia de trabalhar com essas pessoas em meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)”, diz Casteletto.

Segundo o graduando da UEM, o projeto da administração municipal vinha de encontro à área de pesquisa de sua escolha. “Meu interesse partiu de um trabalho já bem desenvolvido em Araçatuba aliado à área em que pretendo atuar, o Planejamento Ambiental, onde trabalhamos de forma sistêmica os modos de uso de manejo do espaço”, afirma. Além disso, Casteletto enfatiza no trabalho os aspectos legais que levaram à remoção das famílias e que, por meio de questionários, pesquisou a melhoria na qualidade de vida e satisfação das pessoas.

Objetivo

O acadêmico ressalta que o objetivo do estudo é analisar e compreender as formas viáveis de uso e manejo do solo, não apenas em áreas urbanas, mas também em áreas verdes. “Para isso, observamos todo o processo e sistematizamos no trabalho, através de métodos da Geografia Humana, observações, conversas, leitura dos projetos e principalmente questionários, que serviram de base para sabermos o que estão sentindo essas pessoas após a remoção”.

Casteletto destaca os três pontos principais da pesquisa: o “ecodesenvolvimento” e a relação entre a ocupação e a Área de Proteção Permanente que compreende o Beco da Esperança; os aspectos legais que viabilizaram a transferência das famílias, buscando na Lei Orgânica e Lei Complementar do município, além da Constituição Federal, todo o aparato que serve de base para este tipo de política pública; e os aspectos sociais vividos pelas famílias durante todo o processo.

Orientado pelo Prof°. Dr°. Edison Fortes, o bacharelando está no último semestre da graduação. Ele entrega o TCC concluído ao orientador nesta semana e espera definição de data para defender o trabalho para a Banca Examinadora. Casteletto atualmente mora em Maringá, mas nasceu e foi criado em Araçatuba. “Me empenhei bastante para poder apresentar um trabalho digno da minha cidade de origem”, afirma.

O beco e o condomínio

O Condomínio Vitória, no bairro Rosele, foi construído em Araçatuba, com investimento de R$ 650 mil do Governo Municipal. O residencial foi inaugurado no dia 11 de março deste ano para abrigar 38 famílias - mais de 120 pessoas - que antes viviam em situação precária no Beco da Esperança, área verde que foi ocupada irregularmente em 1979.

No beco, os moradores sofriam com inundações, alagamentos, falta de saneamento básico e acesso a melhores condições de vida. Diante do quadro, o prefeito Cido Sério e a secretária de Assistência Social, Cidinha Lacerda, decidiram colocar como uma das primeiras prioridades da gestão resolver esse problema, que se arrastava há 30 anos.

Coordenado pela Secretaria de Assistência Social, por meio do Fundo Social de Solidariedade, com o apoio de demais secretarias, universidades e iniciativa privada, o Condomínio Vitória foi construído para oferecer moradia digna, dentro dos padrões de sustentabilidade, para as 38 famílias do antigo beco. O residencial tem coleta seletiva, projeto de arborização e paisagismo e as casas têm aquecedor solar, torneiras e lâmpadas econômicas, além de as famílias terem recebido geladeiras de baixo consumo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Moradores aprovam condomínio e elogiam Prefeitura

Em período de fortes chuvas, as 38 famílias que hoje moram no Condomínio Vitória sofriam muito com as inundações e condições precárias no antigo Beco da Esperança, no Jardim Rosele. Depois de quase um mês na nova moradia, neste final de semana os moradores conviveram com o primeiro temporal.

Os moradores elogiaram a estrutura do condomínio e relembraram os momentos difíceis que passavam no beco. “Lá era uma tragédia quando vinha uma chuva como a que veio no domingo. Aqui é muito melhor, aqui se pode dormir sossegado”, disse o trabalhador rural Joscelino Rodrigues, morador da casa 20.

As famílias habitavam uma área de risco e receberam da Prefeitura as casas novas. Elas se mudaram no dia 11 de março. Ao avaliar esse primeiro mês na nova residência, a moradora Valéria Tobias da Costa, da casa 4, também elogiou a Administração pela construção das casas. “O prefeito atendeu a um pedido nosso. Estou super feliz, na minha casa está tudo legal. É uma gracinha o lugar onde moro”, afirmou.

Apesar da satisfação da maioria dos moradores, três casas tiveram goteiras devido à última chuva, o que gerou reclmação por parte dos titulares das residências. Sobre as goteiras, Lucilene Aparecida Bonatto, moradora da casa 24, entende que eles são normais. “Problemas acontecem nas melhores engenharias. Tem gente que está reclamando à toa, querendo criar confusão, mesmo vendo que a prefeitura tem providenciado os reparos. Eu não tenho o que reclamar”, disse.

Solução

A secretária de Ação Social, Cidinha Lacerda, afirmou que, diante de um grande temporal, muitas pessoas ainda têm algum trauma, já que conviveram durante tanto tempo com inundações. “É natural que fiquem preocupadas, mas elas estão em um lugar seguro e que será melhorado a cada dia com o trabalho, cooperação e compreensão de todos”, disse.

“Não construímos o condomínio para fazer caridade, mas para trazer dignidade e cidadania para aqueles moradores”. A secretária disse também que cada condômino deve contribuir com a melhoria do local e fazer a sua manutenção. Ela citou o caso da moradora Cícera Maria dos Santos, que já colocou piso novo na sua casa e planeja instalar forros.

“Na medida do possível vamos ajudar os moradores, mas sabemos que eles podem adquirir sua autonomia”, declarou Cidinha que, logo após do temporal de domingo, junto com o prefeito Cido Sério, mobilizou funcionários da Prefeitura e da empresa Engescav - responsável pela obra - para fazer os reparos necessários.

Modelo

Cidinha lembra que a construção do condomínio foi uma maneira de evitar grandes transtornos aos moradores que moravam numa área irregular. Ela disse que a Prefeitura tem trabalhado para que o local se transforme em modelo de moradia digna e sustentabilidade. “Estamos trabalhando nessa meta. Por isso buscamos parceiros e estamos conscientizando os novos condôminos sobre o papel de cada um, sobre os direitos e deveres que têm e da importância da manutenção e preservação do ambiente.”

Além disso, a secretária ressalta: “A questão mais importante já resolvemos, que foi ter tirado aquelas pessoas da situação de risco e dar a elas uma melhor qualidade de vida”. Ela acrescenta, ainda, que no projeto de fazer do Condomínio Vitória uma referência, a Prefeitura conta com parceiros importantes.

Ao falar sobre a instalação de aquecedores solares e doação de geladeiras econômicas aos moradores, Cidinha lembra que os primeiros estão sendo colocados gradativamente pela empresa Transsen. A meta é equipar todas as casas até o final do ano. Já as geladeiras, ela afirma que a empresa CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) fará a entrega nos próximos meses.

Fotos: AAS